Obra única e pequena
Sem repetição, o investimento inicial não se dilui. A madeira segue sendo usada, com projeto e com peças íntegras.
- Sem pátio para guardar equipamento entre obras
- Prazo curto e equipe acostumada ao sistema
Escolher entre escora metálica ou madeira parece uma decisão de valor unitário, e não é. A comparação que importa junta três coisas que a planilha separa: quantos ciclos cada solução cumpre, quanto tempo a equipe gasta ajustando nível e o que existe de carga declarada para o projeto de escoramento usar.
Os dois números existem, são fáceis de obter e não são comparáveis. Um deles é o valor de um insumo que será cortado, pregado, molhado e descartado em pouco tempo. O outro é o valor de um equipamento que volta ao pátio, é conferido e sobe de novo. Só faz sentido dividir cada um pelo número de usos.
A conta de ciclos é o piso da comparação, não o teto. Depois dela entram dois fatores que costumam decidir na prática: o tempo de equipe gasto em cada montagem e a qualidade geométrica que cada solução entrega na face inferior da laje.
Vale dizer o óbvio: madeira não é improviso por natureza. Existe escoramento de madeira bem executado, com projeto e peças íntegras. O que quase não existe é escoramento de madeira que chegue à décima obra com o mesmo desempenho da primeira. Ver a escora metálica à venda.
Divida cada valor pelo número de usos previstos. É a única forma de colocar insumo e equipamento na mesma linha.
A escora metálica tem porca de regulagem: o nível sobe e desce de forma contínua, com a carga já aplicada, girando a porca. O ajuste é reversível, repetível e medido.
O escoramento de madeira acerta o nível com cunha. A cunha é uma solução engenhosa e antiga, e tem duas características incômodas: ela ajusta em degraus, conforme quanto se bate, e ela pode se soltar com a vibração da concretagem. Quando isso acontece em alguns pontos e não em outros, o resultado aparece exatamente onde ninguém quer: na face inferior da laje, como desnível.
Esse efeito custa dinheiro depois, em regularização de teto e em revestimento. É uma despesa que raramente é atribuída ao escoramento, porque aparece meses depois, em outra planilha, sob outro nome.
A Equipare informa a carga admissível por altura de trabalho, o que permite ao projetista fechar o espaçamento com segurança. Pedir a comparação para a sua obra.
Nenhuma linha isolada decide. O conjunto delas costuma decidir.
| Critério | Escoramento de madeira | Escoramento metálico |
|---|---|---|
| Reuso | Perde seção a cada corte e a cada prego | Volta ao pátio e é conferida para o próximo ciclo |
| Ajuste de nível | Por cunha, em degraus | Por rosca, contínuo e reversível |
| Carga conhecida | Varia com a peça, o nó e a umidade | Declarada por altura de trabalho |
| Comportamento com chuva | Absorve água, empena e perde resistência | Não absorve; a atenção é com corrosão |
| Padronização | Cada peça é diferente da outra | Peças intercambiáveis dentro da especificação |
| Armazenamento | Ocupa muito espaço e degrada no pátio | Empilhável, com item miúdo a controlar |
| Documentação para obra | Difícil declarar capacidade por peça | Especificação e nota fiscal por lote |
A quantidade final de qualquer das duas soluções vem do projeto de escoramento. Ver o que a NBR 15696 exige.
A resposta honesta não é a mesma para todas as obras.
Sem repetição, o investimento inicial não se dilui. A madeira segue sendo usada, com projeto e com peças íntegras.
A partir da segunda ou terceira obra, o custo por ciclo separa as duas soluções de forma clara.
Madeira não é ativo de frota: não tem padronização, não tem carga declarada e não sobrevive ao giro.
Nenhuma delas é boba, e todas têm resposta concreta.
É um ponto real: mudar de sistema exige treinamento e as primeiras montagens são mais lentas. O ganho aparece a partir do momento em que a equipe domina a regulagem por rosca, que é mais rápida do que acertar cunha.
Também é real, e é o argumento mais forte a favor da madeira em empresa sem pátio. Escora metálica é empilhável e ocupa pouco, mas precisa de um lugar e de controle de item miúdo. Ver como a frota é organizada.
É maior, e existe condição de pagamento para isso. A conta que interessa é o custo por ciclo ao longo das próximas obras, não o desembolso da primeira. Ver o parcelamento direto.
Não é. O que existe é a exigência de projeto e de segurança na execução, e ela vale para os dois materiais. A diferença é que declarar capacidade por peça é muito mais difícil na madeira. Ver capacidade de carga e laudo.
Da peça ao projeto, passando pela conta de ciclos.
Depende de quantas vezes a peça vai ser usada. Em uma obra única, a madeira costuma ganhar no desembolso. A partir da repetição, o custo por ciclo inverte a comparação, porque o equipamento volta ao pátio e o insumo não.
Não é recomendável. Apoios com rigidez diferente se deformam de maneira diferente sob a mesma carga, e o mais rígido acaba recebendo mais do que o previsto. Se houver necessidade de convivência, precisa estar definido no projeto.
Exige, e as primeiras montagens são mais lentas. O que muda na prática é o ajuste de nível, que passa a ser feito girando a porca em vez de bater cunha, e a sequência de travamento do conjunto.
Precisa de conferência a cada retorno: rosca limpa e livre, pino no lugar, tubo sem amassado e chapas íntegras. É uma rotina de pátio simples, e é ela que sustenta o número de ciclos que faz a conta fechar.
O equipamento metálico chega com especificação e nota fiscal, e a carga admissível é declarada por altura de trabalho. Na madeira, declarar capacidade peça a peça é muito mais difícil, porque a variação natural do material é grande.
Não existe número único, porque depende do número de obras, da área por etapa e do quanto a equipe ganha em produtividade. A conta é feita com os dados da sua operação, e não com uma média de mercado.