Rede disponível, tensão diferente
Canteiro com rede estável, porém em tensão diferente da exigida pelo equipamento. O autotransformador adequa a tensão, dimensionado pela corrente de partida.
O autotransformador para elevador cremalheira resolve um problema específico: a obra tem uma tensão e o equipamento espera outra. Ele não resolve cabo subdimensionado, ramal compartilhado nem gerador apertado — e é justamente por isso que tanta obra troca inversor achando que comprou defeito.
São três problemas diferentes que chegam misturados no mesmo chamado. Tensão errada é problema de compatibilidade e se resolve com autotransformador. Ausência de rede é problema de fornecimento e se resolve com gerador. Queda de tensão no cabo é problema de instalação, e nenhum equipamento comprado resolve isso.
O elevador de obra é uma carga desconfortável para instalação provisória. Ele parte com o carro cheio, sob esforço máximo, várias vezes por hora, e faz isso no mesmo ramal em que a obra ligou betoneira, serra e canteiro de carpintaria. O resultado clássico é o desarme que só acontece com carga, que a obra atribui ao inversor de frequência e que, na maior parte dos casos, não é dele.
Antes de indicar qualquer equipamento, a pergunta é sempre a mesma: qual é a tensão medida no quadro do elevador enquanto ele parte carregado. Esse número, e não a tensão medida com a obra parada, é o que separa problema de tensão de problema de instalação.
Autotransformador não transforma duas fases em trifásico. Quando a alimentação disponível não tem as três fases, o caminho é a adequação da entrada, e não um equipamento intermediário. Ver a adequação elétrica do canteiro.
Nenhuma delas exige instrumento especial. Todas mudam a indicação técnica.
A potência que aparece na placa do conjunto de tração descreve o regime de trabalho, não o instante da partida. Na partida sob carga, a corrente exigida é várias vezes maior que a nominal, durante um intervalo curto. Gerador dimensionado pela placa entrega o regime e não entrega a partida — e o sintoma é sempre o mesmo: o carro sobe vazio e desarma cheio.
O mesmo raciocínio vale para o autotransformador e para a bitola do cabo. Quem dimensiona pelo consumo médio acerta a conta de energia e erra a operação. Em torre de cabine dupla, o pior caso é ainda mais duro, porque as duas cabines podem partir ao mesmo tempo, e é esse instante que precisa caber na instalação.
A Equipare faz essa leitura com o eletricista da obra antes de cotar. Informe a tensão e o sintoma no formulário desta página.
A tabela serve para a obra não comprar transformador quando o caso é cabo, e não trocar cabo quando o caso é tensão.
| Sintoma no canteiro | Causa mais provável | O que normalmente resolve |
|---|---|---|
| Sobe vazio e desarma com o carro cheio | Queda de tensão na partida sob carga | Ramal exclusivo, revisão de bitola, e gerador dimensionado pela partida |
| A obra tem 220 V e o equipamento pede 380 V | Incompatibilidade de tensão | Autotransformador dimensionado para a corrente de partida |
| Desarma quando a betoneira liga junto | Ramal compartilhado com cargas pesadas | Circuito exclusivo para o elevador, com proteção própria |
| Falha intermitente sem padrão claro | Mau contato, aterramento deficiente ou umidade no painel | Revisão de aterramento, aperto de bornes e vedação do painel |
| Só há duas fases disponíveis no canteiro | Alimentação incompleta para o conjunto trifásico | Adequação da entrada de energia; nenhum transformador cria a fase que falta |
Elevador alimentado por gerador exige atenção redobrada no dimensionamento e no aterramento. É a origem mais frequente de falha recorrente atribuída ao comando. Ver o diagnóstico de falha elétrica.
O cenário se define pela fonte disponível, não pelo tamanho do equipamento.
Canteiro com rede estável, porém em tensão diferente da exigida pelo equipamento. O autotransformador adequa a tensão, dimensionado pela corrente de partida.
Obra de infraestrutura, área remota ou fase inicial de canteiro. O gerador precisa suportar a partida sob carga, e não apenas o consumo médio do dia.
Aqui não há equipamento a comprar. O caminho é circuito exclusivo, bitola adequada à distância e aterramento conferido.
As confusões que fazem obra comprar equipamento para resolver problema de instalação.
Não resolve. Ele adequa o nível de tensão, mas repassa a queda que vem do cabo e do ramal. Quando a causa é instalação, o sintoma volta com o equipamento novo instalado.
Tecnicamente liga, e é assim que boa parte dos desarmes nasce. O equipamento pede circuito exclusivo com proteção própria. Ver a adequação elétrica do canteiro.
Vem na configuração acordada e conferida na entrega, com a placa em português. Isso é parte do processo de nacionalização. Ver a adequação de voltagem na importação.
Gerador folgado não prejudica o equipamento; o problema é o contrário. Mas gerador mal aterrado gera falha intermitente que aparece no painel como defeito de comando.
Alimentação, painel e comando fazem parte do mesmo problema.
Precisa quando o equipamento exige tensão diferente da disponível. O dimensionamento é feito pela corrente de partida sob carga, e não pela potência de placa, porque é na partida com o carro cheio que a instalação é exigida ao máximo.
Porque a partida sob carga exige corrente muito acima da nominal por um intervalo curto. Se a tensão cai nesse instante, a proteção atua. A medição que interessa é a tensão durante a partida, não com a obra parada.
Serve, desde que dimensionado para a partida do conjunto de tração e com aterramento correto. Gerador escolhido pelo consumo médio entrega o dia inteiro de operação e falha exatamente no instante que importa.
Não é recomendável. O equipamento pede circuito exclusivo com proteção própria. Ramal compartilhado com cargas pesadas é a causa mais comum de desarme atribuído ao elevador.
Não. Nenhum autotransformador cria uma fase que não existe na alimentação. Quando só há duas fases disponíveis, a solução é adequar a entrada de energia do canteiro.
A definição sai do diagnóstico: tensão em vazio, tensão sob carga, bitola, distância e cargas no mesmo ramal. Com esses dados, a indicação é objetiva e às vezes não envolve compra nenhuma.